terça-feira, 29 de maio de 2012

Diretoria do Flamengo avaliará futuro de Joel Santana


As duas primeiras rodadas do Brasileirão colaboraram para que permanência de Joel Santana no Flamengo virasse o principal tema a ser tratado pela diretoria nesta semana sem jogos. O futuro dele à frente do time será avaliado pela cúpula do futebol nos próximos dias e terá a palavra final de Patricia Amorim.


Primeiramente, as reclamações internas de parte do grupo sobre Joel ecoaram pelos corredores da Gávea. Depois, existe a cobrança por resultados desde as eliminações no Carioca e na Libertadores. São 34 dias sem vencer. Motivos preponderantes que agravaram o cenário de instabilidade que cerca o treinador no clube.

As críticas ao trabalho e à filosofia de Joel não são exclusivas dos jogadores, capitaneados por Ronaldinho. A insatisfação com o treinador também tem adeptos do próprio departamento de futebol.
O descontentamento aumentou na avaliação dessas pessoas pelo fato de ele ter perdido o comando, assim como aconteceu com seu antecessor, Vanderlei Luxemburgo.

A substituição de Ronaldinho contra o Inter, um dia depois de ele ter ratificado o status de intocável do astro rubro-negro, também não foi digerida por alguns dirigentes, muito menos pelo jogador.

Para ficar blindado, o treinador se uniu ainda mais à comissão técnica dele. Maurício Albuquerque e Marcelo Salles, auxiliares, e Ronaldo Torres, preparador de goleiros, são praticamente as pessoas de confiança de Joel dentro do Flamengo.

Das reuniões sobre o time e até dos trabalhos da semana, Cantarele, preparador de goleiros, e Jaime de Almeida, auxiliar do clube, sequer têm participado. O membro da comissão definitiva do clube, inclusive, gerou um certo atrito entre o futebol e o treinador. Na época em que assumiu o Flamengo, Joel Santana impôs a contratação de Marcelo Salles preterindo a manutenção de Jaime de Almeida, que está no clube há mais de um ano.

A multa contratual de R$ 3 milhões e a boa relação de Patricia Amorim com Léo Rabello, agente do treinador, são dois entraves que dificultam uma saída imediata de Joel Santana do Flamengo. O desgaste se arrasta desde o período em que o Fla ficou 30 dias sem jogar.

Recluso, o treinador optou pelo silêncio e desde sábado está sem conversar com o grupo. Fato que se contradiz com o clima sem turbulências passado que Joel tem tentado passar nas entrevistas.

Zinho minimiza crise com Joel

O resultado negativo contra o Internacional deixou o clima ainda mais delicado para a continuidade do técnico Joel Santana no Flamengo. O diretor executivo Zinho será o porta voz e responsável por responder sobre todos os assuntos ligados ao futebol do clube. Ele admite que a pressão interna tem atrapalhado as atuações do time, mas nega que a diretoria já trata da saída do treinador antes do fim do contrato, em dezembro deste ano.

– Não existe nada disso. Não vou falar sobre coisas que não aconteceram. O Joel está mantido no cargo. Sabemos que o time ainda não está jogando bem, mas estamos trabalhando para dar mais condições aos jogadores e ao treinador. As coisas vão melhorar daqui para frente – avisou Zinho.

Sem nomes fortes no mercado e com a alta multa rescisória em caso de quebra de contrato, o técnico vai se segurando no cargo. O início ruim no Campeonato Brasileiro, no entanto, ligou o sinal de alerta e a diretoria se reuniu ontem na Gávea em busca de decisões para melhorar o time do Flamengo.

Além de Zinho, o vice de futebol, Paulo Cesar Coutinho, e o vice de finanças, Michel Levy, participaram de reunião, na qual foi definida a contratação de Hernane e alguns nomes a investir para a zaga.

– A pressão existe e buscamos ver as soluções. Sabemos que o time precisa de reforços, mas essa pressão não pode nos abater. Temos como mudar – disse Zinho.