sábado, 14 de julho de 2012

Flamengo é outra vez refém do relógio

Michel Levy comanda as contratações no Flamengo


O roteiro se repetiu nos três anos da gestão de Patrícia Amorim. Mesmo com a data fixada no calendário internacional do futebol com enorme antecedência, o Flamengo mostra-se incapaz de se organizar e agir no mercado e se vê no desespero para reforçar o time às vésperas do fechamento da janela de transferências, que este ano ocorre na próxima sexta-feira.

Sonho de consumo para assumir a camisa 10 e resolver a carência criativa do meio-campo, o meia Diego foi mais uma tentativa frustrada. O Wolfsburg comunicou nesta sexta-feira ao Flamengo que não aceita a proposta feita pelo empréstimo do jogador. Ao mesmo tempo, o rubro-negro também viu ficar distante a possibilidade de repatriar o zagueiro Juan, que rescindiu contrato com o Roma da Itália mas está mais próximo de ir para o Internacional.

Sem Diego, o Flamengo tem uma semana para conseguir um camisa 10 de alto nível, o que parece improvável. Uma possível investida em Riquelme desagrada ao diretor de futebol Zinho e não seria uma negociação fácil, portanto é praticamente inviável. As soluções mais prováveis são a de encontrar um jogador de menos nome, porém mais acessível ou resignar-se à incapacidade de contratar e apostar em quem já está no clube. Neste domingo, contra o Bahia, Adryan, de 17 anos, terá a primeira chance como titular no time principal, aproveitando a suspensão de Botttinelli.

Michel Levy comanda contratações

Pelo terceiro ano consecutivo, o Flamengo torce contra o relógio depois de se decepcionar nos primeiros objetivos. Nos três anos, pelo menos um personagem comum e outros transitórios. O Flamengo vai ao mercado liderado pelo vice de Finanças Michel Levy, homem de confiança de Patrícia Amorim, dono da chave do cofre rubro-negro e que atua em tabelinha (às vezes menos, às vezes mais entrosadas) com quem comanda o departamento de futebol.

Em 2010, Zico era o diretor-executivo, e o clube precisava ir ao mercado buscar atacantes para repor as perdas de Adriano e Vágner Love. Longas negociações se arrastaram, Zico chegou a reclamar de falta de autonomia financeira, e o Flamengo acabou trazendo Diogo e Deivid no último dia da janela. Contratar no desespero mostrou-se a receita para contratar caro ou mal: Diogo foi um fiasco, e Deivid veio com salário altíssimo. O que não exime o clube por simplesmente decidir não pagar os direitos de imagem que deve a Deivid, que foi à Justiça.

No ano seguinte, com Luxemburgo como técnico, Luiz Augusto Veloso era o diretor de futebol, e Levy seguia no controle das finanças. O alvo do Flamengo era o atacante André. O Atlético-MG venceu a disputa e o rubro-negro acabou trazendo para a posição Jael, que sequer ganhou o posto de titular.

Agora, Levy e Zinho empenharam-se por Diego, e outra vez o Flamengo não teve dinheiro ou competência o suficiente.

É verdade que entre uma e outra janela o clube trouxe com grande impacto Ronaldinho Gaúcho. O que era, no início de 2011, uma ótima engenharia em que a Traffic pagaria a maior parte dos valores para o craque jogar no Flamengo virou tragédia este ano, quando o clube assumiu irresponsavelmente um salário que não poderia pagar, o que ficou claro em poucos meses, até Ronaldinho sair de forma traumática.