sexta-feira, 22 de junho de 2012

Marketing do Fla comemora saída de R10, mas segue com dificuldades em patrocínios


Imagem desgastada de Ronaldinho atrapalhou o Flamengo na busca por patrocínios

Apesar da forma traumática e dos possíveis prejuízos ao clube, a saída de Ronaldinho Gaúcho é comemorada até hoje no Flamengo. E no departamento de marketing não é diferente. A diretoria alega que sem o jogador o clube deixou de ser associado às polêmicas e isso pode facilitar negociações. Entretanto, mesmo com o ex-camisa 10 longe da Gávea, as dificuldades para negociar um patrocinador master para o uniforme seguem.

"Está mais fácil trabalhar sem o Ronaldinho. Com a saída dele, não temos o nome do Flamengo associado a problemas. Estávamos sendo vistos como um barril de pólvora no mercado. Mas ainda estamos lutando contra algumas coisas que ficaram pendentes", analisou o diretor de marketing do clube, Marcus Duarte, que teve seu pensamento endossado pelo vice da pasta, Henrique Brandão.

"Atualmente, sem o Ronaldo, o foco passa a ser outro. Temos boas imagens dentro do elenco para explorar. Ainda assim, as dificuldades deixaram marcas. Por exemplo, entramos tarde no mercado por causa do imbróglio com a Traffic e isso nos atrapalha", disse Brandão. Ele deixou escapar que o clube estendeu mais uma vez o prazo para o acerto com um patrocinador master. "Esperamos resolver isso em agosto. Até lá estaremos com um novo parceiro para a frente da camisa", assegurou Henrique Brandão, que já havia declarado a proximidade do acerto em pelo menos três oportunidades anteriores - março, abril e maio.

Sem substituto para R10

Enquanto repetem o discurso de dificuldade na busca por patrocínios, os rubro-negros tentam modificar a estratégia para gerar outras fontes de renda. Diferentemente do que aconteceu com Ronaldo, o clube não irá explorar mais a imagem de apenas um jogador. A partir de agora, a ordem é licenciar produtos para todos os principais atletas do time.

Segundo os dirigentes, centralizar a exploração em Ronaldinho foi um erro e o clube não pode mais ficar refém dessas situações. "Infelizmente, não podemos depender de um jogador e do que ele faz. Vamos valorizar o elenco como um todo e ampliar a linha de licenciamentos. Temos Vagner Love, Ibson, Léo Moura e até o Thomás", revelou Marcus Duarte, ao explicar que até os mais jovens serão incluídos no processo.

O Flamengo iniciou a exploração de produtos licenciados de Ronaldinho em outubro de 2011. Com resultados abaixo do esperado, uma nova linha foi lançada em maio, pouco antes da saída do jogador pela "porta dos fundos". Mesmo que o marketing rubro-negro não confirme, o fato gerou um enorme prejuízo e precisa ser evitado.

Os dirigentes evitam o assunto e despistam na hora de falar sobre o destino das toalhas, camisas e mochilas que seriam comercializadas com a imagem de Ronaldinho. "Isso não é mais problema nosso. As lojas que definem o que vão fazer. Podem estocar, doar, vender a preço de custo e até queimar. Agora é com eles", disse o diretor de marketing, sem citar a parte de royalties que o Flamengo deixará de ganhar com a saída de Ronaldinho.

TV Fla

 Outra tática adotada pelo departamento de marketing do clube para minimizar a falta de um grande investidor é apostar na nova TV oficial do clube. Veiculada em um canal aberto de televisão uma vez por semana e com  atualizações diárias no YouTube com vídeos de bastidores, o novo canal rubro-negro já atingiu números considerados significantes pelo clube.

Com quatro milhões de espectadores diferentes no primeiro mês de funcionamento, a TV Fla é a nova menina dos olhos e pode ser usada em breve como grande fonte de receita. "Nos primeiros 30 dias, já alcançamos mais de 10% da torcida em termos de audiência. Os números devem triplicar até o final do ano. Com a comercialização dos espaços na TV, teremos mais uma alta receita a ser gerada", encerrou, com otimismo, o diretor Marcus Duarte.