domingo, 14 de agosto de 2011

Contarei para meus filhos que joguei com Ronaldinho diz Thiago Neves em entrevista




Coadjuvante na chegada de Ronaldinho ao Flamengo, em janeiro, Thiago Neves já divide com o camisa 10 o rótulo de protagonista do time. A parceria com o astro rubro-negro não se restringe só aos gramados, mas criou um vínculo de amizade entre ambos.

Dúvida para o jogo deste domingo entre Flamengo e Figueirense, às 16h, em Florianópolis, o fiel escudeiro de Ronaldinho também já assumiu o seu lado rubro-negro. Prova disso, foi a música escolhida pelo meia, a pedido do LANCENET!, para celebrar a fase individual e o grande momento do time nesta temporada.

– Vamos Flamengo, vamos ser campeão, vamos Flamengo. Minha maior paixão, vamos Flamengo, e essa taça vamos conquistar – cantou o jogador, após pensar alguns minutos em qual trilha contemplaria o torcedor.

Nesta entrevista exclusiva ao L!, Thiago Neves revelou ainda como encara a vida de pai de Maria Carolina e a mudança de postura que remonta às polêmicas no início da carreira. Ele também mostrou a ansiedade para ficar de vez no Flamengo e voltar à Seleção.

  • Como foi construída a amizade com Ronaldinho desde a chegada de vocês?
Não o conhecia fora de campo. Você vai ganhando confiança na pessoa e pega liberdade para falar alguma coisa. A cada dia as pessoas ficam mais amigas dele. Estamos em um momento em que podemos nos cobrar dentro de campo. Antes não havia essa liberdade.

Até hoje, jogador algum teve qualquer tipo de problema com Ronaldo. Já tive a chance de jogar com ele na Seleção, mas não esperava que isso fosse acontecer no Brasil. Pensava que ele iria encerrar a carreira na Europa. Estou curtindo cada dia com ele e está sendo muito bom também para a minha carreira.
  • E como foi no início lidar com a condição de chegar ao Fla na sombra de Ronaldo?
É claro que todo mundo vai ficar em cima do Ronaldo. Mas eu também tinha de jogar. Não que eu queira os holofotes para mim. Fora e dentro de campo, fica tudo em cima dele. Sabemos disso.
  • Fora de campo como funciona a parceria?
Nós nos falamos pouco por telefone, mas quando acontece alguma coisa ele me liga para saber. Às vezes, ficamos sem nos falar e quando chegamos ao clube queremos saber como o outro está. Sei quando ele está triste, abalado, feliz... E ele também é assim comigo. Mas não é só entre nós. Com Willians, Welinton, Deivid... Nesses seis meses, os jogadores já se conhecem bem.
  • Você já teve uma amizade como esta em outros clubes pelos quais jogou?
Na época do Fluminense, eu tive outros amigos. Berna, goleiro, é meu padrinho de casamento e Thiago Silva sempre fala comigo. Agora, é com Ronaldo. Estou aproveitando bem, porque não sei o dia de amanhã. Isso é uma coisa que eu vou contar para meus filhos e netos. Falar que joguei com ele.
  • Acompanhei sua carreira na passagem pelo Fluminense e, agora, no Flamengo, percebi que houve uma mudança em relação ao seu comportamento...
Estou mais centrado, não é? Mudei meu jeito de jogar e meu jeito de ser. No Fluminense, eu falava muita besteira. Acontecia muita coisa e havia muita polêmica. Agora, estou com a cabeça no lugar. Por isso que hoje vocês não vão me ver envolvido em confusões. Não tem por que também voltar a ser como era na época do Fluminense.
  • E a que você atribui ao fato de estar mais centrado?
Meu casamento e minha filha me ajudaram muito. Tudo isso contribuiu. Estou em um momento muito bom da minha vida. Se as coisas não estivessem bem na minha casa, acho que no clube o momento seria diferente de como está.
  • Você citou a mudança também dentro de campo. Qual é?
Minha característica mudou. No Fluminense, eu arriscava muito, tentava sempre a jogada individual. Agora, eu tento ver mais o companheiro que está mais bem colocado e jogo mais para o time. Estou mudado e sou mais cabeça. Jogo com mais inteligência e com mais personalidade, bem diferente do que era no Fluminense.
  • A mudança também foi importante para ser convocado por Mano Menezes na pré-lista para a Copa América?
Acho que o jogador chega à Seleção pelo o que faz em campo. Por mais que tenha mudado minha característica, eu consegui voltar a vestir a camisa do Brasil. Vou continuar correndo atrás e uma hora vou me firmar na Seleção.


  • Todas essas mudanças reforçam o seu desejo de permanecer no Flamengo em 2012?
Eu falei que quero ficar no Flamengo e não quero sair. Estou bem no Rio, minha família está bem aqui e o meu pensamento é esse. Não penso em sair agora. Acabei de chegar e as coisas já estão acontecendo. Então, Léo (Rabello, empresário) e Patricia (Amorim, presidente) vão ter de trabalhar e arrumar uma forma de eu ficar.
  • E de qual maneira você pode contribuir para ficar?
Eles sabem do meu desejo. É isso. Patricia vai se empenhar para me comprar e Léo vai ajudar. Ele não me fala muita coisa para não me atrapalhar dentro de campo e prefiro não me meter nisso.
  • A sua relação com o Al Hilal pode ajudar na permanência?
Não há pressão alguma. Na minha volta, tive um pequeno problema lá, mas não era nada demais. Eles sabem que eu quero ficar no Rio de Janeiro. Voltei e em apenas seis meses já fui convocado. A Arábia me ajudou muito, mas não penso em voltar para lá.
  • Houve algum problema quanto à adaptação, especialmente em relação à cultura árabe?
Era complicado, porque não se podia fazer nada depois de um jogo ou de um treino. Lá tudo é muito fechado por causa da religião. Mas eu e minha esposa gostamos deste período em que estivemos lá.
  • O passado no Fluminense já ficou relegado? A torcida do Flamengo tem mais aceitação?
Não esperava que fosse acontecer tão rapidamente. Mas sabia que, se me empenhasse, os torcedores do Flamengo ficariam do meu lado. Tinha noção de que eles iriam querer ver tudo o que fiz com a camisa do Fluminense. Apesar de não ter jogado bem na estreia, a torcida me aplaudiu e tem melhorado. Vou no meu limite e eles sabem disso. Entrego-me e visto a camisa.
  • Como os tricolores reagem?
Alguns falam "abandonou meu Fluminense" e outros dizem "está arrebentando, Thiago, mas preferia ver você com a camisa tricolor". Não tem uma mágoa. O torcedor do Fluminense viu que eu me empenhei lá e agora eu faço isso com a camisa do Flamengo. Nunca fui jogador de ficar com chinelinho e honrei as camisas dos clubes pelos quais tive a chance de jogar.
  • E dentro de casa? A esposa (Marcela) já aceitou a mudança?
Tranquila, acho que ela não vai ficar nunca. Ela é tricolor e eu respeito isso. Até gosto que ela tenha a personalidade de ir a um Fla-Flu com a camisa do Fluminense, torcendo pelo clube dela.
  • Como você analisa a temporada do Flamengo, que só tem uma derrota e está na cola do Corinthians na disputa pela liderança do Campeonato Brasileiro?
O time do Flamengo é muito bom, forte e competitivo. Temos um grupo com jogadores que podem decidir o jogo a qualquer momento. Os jogadores já tinham colocado na cabeça que tínhamos chance de ir para a Libertadores. Agora, o grupo viu que dá para ser campeão. A motivação é total sempre. Não perdemos jogos e já conquistamos o Carioca. Todo mundo está focado no trabalho do Vanderlei.
  • Qual é o seu papel dentro do grupo do Flamengo hoje, e como as lideranças são exercidas?
Eu sou tranquilo. Sei que minha palavra conta, mas há jogadores mais experientes e que assumem essa condição. Ronaldo, Angelim e Renato são as cabeças do grupo. Eles resolvem tudo o que está acontecendo no Flamengo, sejam situações dentro ou fora de campo.